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Solstío de Verão. Solstío no Rio

Tcello Ribeiro




É hoje. É hoje o Solstício de Verão. É hoje que começa a estação mais provocante de todas: dias longos e quentes. Noites ardentes. Tempo de fritar, tempo de sentir. Sentir a sensualidade no ar, a libido esquentar. Perfumes a pairar misturados à testosterona dos bombados que pulsa sem parar.  Sedução. É hora de mergulhar, é hora de viajar. Gozar no mar, delirar na areia, rir até cansar.

Desafiar a onda sem temer a ressaca. Experimentar. Novas sensações, novas atrações: químicas e corpos latejantes de hormônios a agarrar. Explosões repentinas e braços a guardar. Corações vadios em busca do porto. Porto ensolarado a queimar. Cores vivas, ruas cheias, trânsito caótico a estourar. Cidade Maravilhosa ditando tendências, lançando modas a pipocar. Moda de amar, moda de transar. Desejo à flor da pele não consegue esperar: pare o elevador, quebre os bancos do carro. É Verão, não dá pra controlar.


Lua Cheia, Lua Nova. Sol a Pino. Ar parado é preciso agitar. Chope no final da tarde, patins no calçadão, pedaladas na Lagoa, trilhas pelas montanhas. É Verão e necessário voar. Asa delta na Pedra da Gávea, bate-papo no Pepino, azaração em Ipanema, ferveção em Copacabana, amanhecer no Leblon. Hidratar: água de coco para os cachorros, leite para os gatos e beijos sempre a fim de a boca não secar. Tempo abafado, temporal alagado e Sol de novo a lascar.




 





 

Veias dilatadas, músculos a dominar. Academias lotadas, Jack na malhação, acelerando a emoção a despertar. Pool parties, day parties, noites intermináveis a convidar. DJs enfurecidos, subgrave tinindo, loucuras surgindo para zuar. Mais água, muita água a aplacar. Remadores na Lagoa, surfistas na Barra, toques na cachoeira do Alto a aliviar. Laptop à beira da piscina, fones nos ouvidos, praia sacudindo, ondas permitindo e música na mente a afinar.  Cariocada antenada: Morro da Urca, Píer Mauá, Marina da Glória, Jockey Club e Lapa a esquentar. 




40 Graus, cigarras cantando, asfalto rachando, Árvore de Natal da Lagoa brilhando a deslumbrar.  Recantos urbanos: Parque do Penhasco, Pedra do Leme, Arpoador, Mirante do Leblon, Vista ChinesaMesa do Imperador a acomodar. Impérios derretidos e uma diversidade fervente a ampliar toda a sensualidade curtida sob essa louca vibe solar.



Sim hoje é Solstício.  É Solstício no Rio. É Solstício de Verão no Rio. E tempo de ousar!!





Paixões e Traições

Tcello Ribeiro


Ele tem um romance secreto com alguém... A pessoa diz que O ama durante todo o tempo, mas Eles simplesmente não podem revelar o namoro a ninguém. Não por causa Dele que, afinal, como todo apaixonado, tem vontade de gritar para o mundo o êxtase maravilhoso em que vive.



Mas o Outro alega ser uma pessoa pública, curiosamente tão pública quanto Ele - ou seja, nem tão públicas assim... No entanto, a crescente projeção profissional o Outro não rejeita! Ele, claro, diz aos sete ventos o talento maravilhoso que o Outro é.





Até que um belo dia Ele descobre que tudo não passou de uma grande mentira recheada com muitas traições; parece que a única verdade do Outro era o desejo de subir na carreira...




 

E Ele arrasado, na maior deprê, não consegue esquecer as noites maravilhosas, ou melhor, só as esquece quando é tomado pelo impulso de vingança comum a todos os mortais que têm seus sentimentos mais nobres esfregados na lama.






 

A máscara do Outro caiu na frente Dele. E agora? Vai passar o resto da vida querendo revanche? O lado racional Dele diria logicamente que não, mas onde está o equilíbrio agora?





Ok, a racionalidade Dele está a léguas de distância... Mas, em vez de desgastar-se com sentimentos tão pequenos Ele deveria tentar transcender. A arte serve pra isso e todos são capazes de produzir alguma manifestação criativa e artística. Entretanto, pode ser que Ele esteja tão no fundo que não consiga produzir nada neste momento: não tem problema.




 

Há diversos artistas que podem transmitir o que Ele sente e, com certeza, no futuro toda essa tempestade também vai se transformar em alguma criação positiva, além de uma sabedoria de valor incalculável...



 

E vale lembrar que Ele só deve revelar aos amigos a identidade do crápula que se envolveu se tiver certeza que não terá uma recaída voltando aos braços do Outro, caso contrário, será raro os amigos entenderem as complexas atitudes Dele. Mas eu acho que essa certeza Ele não tem...





 

Clique aqui  na SEÇÃO VÍDEOS e assista ao clipe de uma canção tão chique quanto Ele e que pode servir, todos torcemos, como um passa-fora definitivo no Outro!





De Olho nos Amigos!

Tcello Ribeiro





Todos nós temos um, dois, três ou inúmeros amigos, certo? Ok... Um ou vários não importa! O que importa é sabermos ouvir, procurar saber do nosso amigo. Às vezes uma palavra, um gesto, um colo pode fazer uma grande diferença para ele.





Devemos oferecer, mesmo que ele não peça, que diga que não precisa. Somos humanos e falhamos muitas vezes com a melhor das intenções... Usamos para nós mesmos a justificativa de que não devemos invadir a individualidade do nosso amigo. Ora, uma invasão para socorrer é sempre bem-vinda (aí só não vale o exemplo de Bush com o Iraque, ah, ah).






Aquele amigo que nunca reclama e que por isso mesmo a gente nunca ouve, é justamente aquele que sempre está pronto a nos escutar, a nos dar colo, não é mesmo? Somos assim, pelo menos a maioria, passíveis de equívocos brabos... Pode crer que aquele nosso amigo que "nunca tem problemas" e sempre nos escuta deve estar segurando muita emoção.






Devemos sim puxar, ouvir, aconselhar, oferecer luz. Atitudes assim, que em muitos casos não tomamos por nos parecerem tão pequenas e sem grande importância, para o nosso amigo pode ser uma grande luz no fim do túnel. E, devemos ir além dos conselhos emocionais com o nosso amigo. Temos que partir para os materiais. Será que está satisfeito no trabalho? Será que podemos ajudá-lo a subir profissionalmente ou mudar de emprego? Será que ele tá mal de grana?






Claro que não somos Deuses, mas um contato certo pode fazer a diferença. Eu não sou santo e já errei com vários amigos involuntariamente, mas já tive uns acertinhos também... Não vou falar pra me gabar, e sim para que possamos ver como coisinhas fáceis para nós podem transformar para melhor a vida de um amigo.






Tenho um que trabalha na área musical, é talentoso, do bem, mas estava na pior... Comentei, pedi por ele a um outro amigo que tem um selo (pequena gravadora). Mas botei pé firme, não apenas dei um toque, e com educação fiz uma campanha do bem. Resultado: estão os dois satisfeitos. Este mesmo amigo que eu ajudei, e que ficou numa boa em termos materiais, logo em seguida teve uma depressão, uma crise existencial depois de romper com o namorado.






E eu aqui não saquei nada. A parte inferior da minha mente me dominou e eu achei que ele estava ótimo, já que sempre me ouvia, que o seu lado profissional e financeiro estavam bem, além da saúde perfeita. Fui raso e não saquei que a mente do meu amigo é tão complexa quanto a de todos nós. Sim, porque teimamos em achar que só nós é que temos grandes indagações existenciais...






Meu querido amigo chegou a tentar o suicídio, mas uma grande força positiva o salvou!  Agora fico atento aos meus amigos, principalmente aos que nunca reclamam, e aos que reclamam também, é claro.






É... E como eu não sou um super-herói gostaria que a recíproca fosse verdadeira. E para todos os internautas antenados também!







Kiko conclui: DJs são Tudo de Bom!


Tcello Ribeiro


Você já namorou algum DJ ou DJÉIA? Não? Kiko já e afirma que DJs são tudo de bom! Em primeiro lugar porque são artistas e como tal têm a mente aberta e estão sempre à frente do tempo. Artistas são assim: sensíveis, egocêntricos - no bom sentido, atores e DJs então, nem se fala - e antenados. Na verdade a alma de artista é o que importa, mesmo que alguém exerça uma profissão altamente burocrática, esta pessoa pode ter a alma de um belo artista, e vai refletir nas atitudes e maneira de ser um belo perfil. Mas nosso amigo Kiko já namorou sim uma figura que ganha a vida com esta profissão tão excitante e especial. Foi um namoro que durou muito tempo e secreto, assim como é secreto o nome do DJ; e o nome é secreto também por motivos secretos, naturalmente...
 
 


Mas é um DJ que TODOS conhecem, e a dupla se diverte quando se encontra pela night, afinal pra não darem bandeira, às vezes não se falam, outras se cumprimentam sem muita intimidade ou até se abraçam e beijam como grandes amigos. Na maior discrição eles estão sempre se ajudando mutuamente, tanto na vida pessoal, como na profissional. Insisti e muito, mas Kiko não me disse o nome da figura. Mesmo assim ele enumerou algumas razões para afirmar porque é maravilhoso namorar os profissionais da cabine de som: primeiro ele vai sempre te ouvir, já que os DJs conseguem assimilar com facilidade dois ou mais sons que escutam ao mesmo tempo, pois sempre ouvem a música que está rolando e a que vai entrar (no fone de ouvido), a famosa mixagem
 
 



Você pode ir de uma profunda dúvida filosófica a mais completa abobrinha existencial que ouvir,  ele ouve.  Eles também são extremamente observadores e vêem tudo o que se passa na pista, então, claro que com você não vai ser diferente, e sempre vai notar uma mudança no visual, um perfume diferente ou uma underwear nova.



Se você é daqueles que ADORA aparecer vai gostar, porque ele vai sempre iluminar a pista quando você atravessá-la ou estiver dançando, mas caso você seja tímido, discretamente a sua cara-metade vai dar aquela diminuída na luz, só pra te deixar à vontade.




O ciúme? Bom, essa questão é muito complexa: lá de cima, segundo Kiko, o regente controla tudo e vigia todos os seus passos, então aprontar nem pensar, mesmo porque como os DJs conhecem toda a fauna noturna sempre terá alguém pra entregar a ele o que você fez - e o pior, o que você não fez! Tem mais, se você não estiver no clube ou festa que ele está tocando, no dia seguinte o interrogatório é certo. Porém há o outro lado, pois DJs são muito paquerados e você, segundo Kiko, vai ENLOUQUECER de ciúmes também. A dica de nosso colega é: se preocupe apenas com os que lhe parecerem diferentes da grande massa volúvel e medíocre que você encontrar por aí, pois estes, por mais belos e atraentes que sejam, vão azarar, mas não terão paciência para esperar o DJ sair da cabine. Antes disso já terão ficado com outro - ou outros - na noite. A maioria é assim... Ou não é?  Há tempos o quesito ciúme era ainda pior, já que houve uma fase em que os DJs dependiam exclusivamente dos comissários de bordo para trazerem os últimos lançamentos para ele - caso o DJ não costumasse ir para o exterior com freqüência - e, portanto tinham uma relação estreita de amizade. Mais ciúmes... 
 


Muitos DJs também eram comissários, e as constantes viagens regadas a explosões de ciúmes de ambas as partes. Coisas de casal...

Mas claro que nem tudo são explosões - a não ser na pista. Ou melhor, há outras explosões bem-vindas. Os DJs saem elétricos e cheios de energia da cabine, por mais cansados que possam estar. Então ao final da noite você pode ser surpreendido com uma saideira no Cervantes, em Copacabana, onde rolam os melhores sanduíches para carnívoros da zona sul e fica aberto até altas horas. Também podem encerrar a noite no Baixo Leblon, nos eternos Jobi, Pizzaria Guanabara ou no Café da Letras & Expressões - clássicos da madrugada carioca. Em muitas ocasiões o DJ também vai te seqüestrar para aquele motel da Barra ou São Conrado, e depois de horas na hidromassagem e outras coisas mais, vai te mostrar com exclusividade tudo o que está em seu iPod, e que vai estourar nas pistas.

 
 
 
Não é preciso saber a diferença entre techno, trance, minimal, electro, house ou outros estilos musicais que os profissionais da cabine tocam. O que importa é a sensação que o som lhe desperta. Sensualidade, sexualidade, alegria, vontade de dançar, enfim... Tudo isso graças ao DJ! Como não concordar com Kiko então? DJ é tudo de bom, e este a que nosso amigo se refere parece ser especialíssimo. Pergunto mais uma vez: "Pô Kiko, quem é?" Mas ele disse que não importa o nome e que quando escutarem um som delicioso é sinal que o dito cujo está nas pick-up´s. E ainda reforça: essas dicas valem para a maioria dos DJs e DJÉIAS, são todos especias. Então vamos combinar mesmo: DJs são tudo de bom!





Nunca largue o corrimão, mas não pare na escada...


Tcello Ribeiro

 

   Tem boates que são maravilhosas. Som perfeito, vibe incrível, pessoas lindas e interessantes, bebida ao ponto, funcionários educados...Enfim a noite perfeita, mas como sempre há um porém, esse porém estaciona na escada.

Se o clube é pequeno, naturalmente as escadas ficam congestionadas, e se ele é grande e está lotado o mesmo acontece. Kiko freqüenta uns lugares assim perfeitos, mas ele sempre se complica nas escadas.
 

Outro dia lá estava ele, animado, bebendo, paquerando, quando teve que subir a escada. Ela estava lá, quieta com seu corrimão convidativo. Só que algumas pessoas insistem em parar nela dificultando o fluxo de outras que precisam encarar os degraus.

O que fazer nesses casos? Enfrentar: e com os pés bem fixos no chão para não tomar um estabaque. E lá foi Kiko procurando o corrimão amigo. Em escadas cheias não dá para se dar ao luxo de ser chique e não segurar no corrimão, essa elegância fica para quando os degraus estiverem livres. Enquanto nosso amigo tentava escalar a escada lotada, casais se atracavam no quinto degrau, pessoas conversavam, outras azaravam e algumas simplesmente ficavam lá: absolutamente imóveis nos degraus como se admirassem o nada no meio do burburinho.

Nosso amigo Kiko até viu umas figuras interessantes, mas como chegar em cima de alguém que está parado numa escada? Não havia a mínima condição. Primeiro porque ele estava muito concentrado em segurar a cerveja com uma mão - para não levar ou dar um banho de cevada - e com a outra tentar achar o corrimão, além do mais não se pode confiar em alguém parado numa escada(!). A situação se complicava quando o DJ diminuía a luz. De óculos escuros para compor o visual, Kiko não enxergava absolutamente nada nesses momentos.

em desespero, no meio da escada ele resolveu esquecer um pouco a educação que havia recebido com tanto zelo de seus pais e começou a empurrar as pessoas. No meio do empurra-empurra eis que Kiko finalmente alcança o corrimão. Imponente e seguro no alto da escada - graças ao auxílio do corrimão amigo - ele começou a observar tudo lá de cima, uma visão de camarote onde podia ver todos que estavam se divertindo. Também percebeu que lá do alto era visto pela maioria das pessoas.

Então maravilhado com a possibilidade de ver e ser visto, encostou-se ao corrimão, começou a beber a sua cerveja de canudinho e acendeu um cigarro. O local só não era perfeito porque uns malas teimavam em querer subir e descer as escadas esbarrando sempre nele, mas valia a pena, pois daquela privilegiada posição ele poderia azarar à vontade. Só uma dúvida pairava sobre a sua atordoada mente. Será que alguém chegaria e confiaria nele, parado ali no alto da escada?
 










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